quinta-feira, outubro 08, 2009

Falando em passado... Pensando na vida

"Eu sei que eu ando bebendo demais,
Você já me disse."
- Wander Wildner
em Quase Um Alcoólatra

Hoje minha vida é um turbilhão de novidades. De novo.
Mal dois anos se passaram e tudo que eu dava como mais que certo, tudo que eu já fazia planos contando com... se foi. Por opção minha mas se foi.
Muita gente me achou louco, uma em especial, sofreu muito, mas outros tantos apoiaram e, digamos, até torceram.

Nem a cidade onde eu moro não é mais a mesma. O trabalho que faço não é mais o mesmo. Se eu tinha casa, plano de saúde, plano de aposentadoria... no momento não tenho mais. Não é definitivo, mas neste exato momento não tenho mais. Começar de novo. Não sem garantias, mas começar de novo. Trazendo alguma bagagem do passado, partes da minha vida, mas começar de novo.

Não me entendam mal. Não pensem que estou reclamando. Talvez só organizando as idéias que estão realmente jogadas pelos cantos da minha cabeça e algumas também ainda não encontro. Talvez não queira encontrar e queira só deixar rolar pra ver no que dá, como diz Steven Tyler, "in a toss of the dice".

O pior já passou, quem tinha que partir, partiu, não sem deixar saudades ou lembranças incríveis, quem tinha que voltar a "querer ficar", já voltou. Ainda faltam alguns pontos a se resolver, não menos importantes, mas menos fatídicos ou irreversíveis. Passado o pior, o que quero é viver intensamente. Começar de novo! A parte boa do "começar de novo".

O trabalho tá aí e vou fazer o melhor que puder, ainda mais fazendo o que eu gosto.
De resto, quando estiver triste quero chorar, bastante e sem vergonha, quando estiver feliz quero gargalhar até dar câimbra nas bochechas, quando tiver fome quero me esbaldar comendo, e se não for fome quero comer bala de goma, pipoca, leite condensado, picolé e Doritos, quando estiver com vontade vou jogar aquele futebolzinho, correr de kart, brincar com o cachorro, sair só pra bater foto, ler um livro besta e tri legal, quando tiver vontade de ouvir aquela música, vai ser alto e tocando a guitarra imaginária, balançando o cabelo e cantando junto, quando bater o tédio vou pegar o carro e sair ouvindo a música que eu gosto, quando bater a preguiça quero ver um filme ou jogar videogame até de manhã, quando sobrar um tempinho e grana quero viajar e conhecer outros lugares e continentes, quando estiver calor quero me jogar na água ou sair na chuva, quando tiver sede quero tomar aquela cerveja gelada, mas com amigos, de longa data e os novos! E quando cansar quero dormir tranquilo. O sono dos justos. Pois meus deveres quero já ter cumprido e consequentemente quero receber a gratificação justa.

Quando estiver com a pessoa amada, quero namorar feliz, quero voltar a me apaixonar, fazendo tudo o que escrevi acima, com ela. E se ela for feliz assim, eu acho que também vou ser.

Voltar a fazer as coisas por vontade, por prazer. Deixar de fazer tudo por obrigação, por comodismo, por aceitação, por medo. Queria ver quem consegue legitimamente ligar o "foda-se" pra ver se é feliz. Esse botão mágico e libertário é quem torna as pessoas verdadeiras, mas não sem esquecer dos conceitos importantes, os valores. Talvez sejam eles os freios, talvez por eles não se faça o que dá na telha. Talvez por eles exista remorço e arrependimento, mas nem tudo que causa esses sentimentos é pra ser ruim, quem sabe só não seja pra manter o uso do raciocínio, pois senão seríamos só instinto.

Em homenagem aos idos tempos de boemia, que muito me alegraram e alegram de quando em vez, um abraço e um beijo a todos que compartilharam comigo algum desses momentos, onde chorei, gargalhei, comi, joguei, corri, cantei, brinquei, fotografei, li, ouvi música, toquei, bangueei, dirigi, assisti filme, joguei, viajei, me banhei, saí, bebi... e dormi.

Essa coisa de virar gente grande acaba com a brincadeira!
Como diria minha irmã, na piada mais sem graça que ouvi ultimamente: Quero descer! ahah

Sou um cara que fez muita merda na vida (acho que às vezes ainda faço algumas), e até certo ponto não me arrependo de nada, pois me tornaram o que sou hoje. Talvez pudesse ter evitado um tanto de sofrimento, um tanto de esforço, mas acho que, no fundo, no fundo, até que está dando certo. Não me entendam mal, nem eu sou (nem era) quase um alcoólatra. É uma brincadeira, e só. Gosto muito de quem sou hoje... mas ainda não sou perfeito, nem tampouco tenho pretensão de ser. A maioria das coisas que gosto em mim mesmo são as que alguns podem ver como defeitos, então... se for preciso que eu seja o rebelde, o maluco, o excêntrico, o sem noção, o egoísta, o sei lá o quê, pra ser feliz... que seja.

Os que gostam de mim que me acompanhem, ou só observem de longe, o que não quero é que a única vida que eu já tive, tenho e jamais vou ter seja passada em tons de cinza.

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