terça-feira, outubro 27, 2009

Falando em meu irmão... valeu.


Bom, pra quem não sabe ainda, estou numa transição punk na minha vida (de novo!).
Dia 2 de setembro pedi demissão da Petrobras.

Sim!

Quem ouve isso somente, pensa que surtei, que sou louco, que devo ser burro, trouxa, sei lá.
Mas na verdade, eu só saí de lá porque tinha outra oportunidade, claro.
Em 2006, ano em que fiz 3 concursos, passei nos 3, uns melhor classificado, outros nem tanto.
Petrobras, CGTEE e TRT4.
Na petrobras um concurso com 6932 candidatos para o cargo de arquiteto e 11 vagas. Fiquei em 14º.
Na CGTEE não vi número de candidatos para arquiteto, e somente para cadastro reserva. Fiquei 62º.
E no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª região, analista judiciário especialista em arquitetura, cadastro reserva também. Fiquei em 2º.
O que aconteceu em seguida foi que chamaram os 11 da Petrobras, 2 desistiram, chamaram mais 2, um desistiu... aí entrei.
Foi em 23 de maio de 2007 o dia da assinatura do contrato, no Rio de Janeiro, onde morei desde então.

O que aconteceu nesses dois anos e três meses, é uma história longa, com seus prós e contras que não vou contar neste post.
Aí chegou a notícia: fui nomeado no TRT.
E agora, assumir ou não o cargo?

Bom, a decisão veio pela conjuctura toda que se formara, pai no hospital, vó doente, família mais perto, amigos, custo de vida, segurança, possibilidade mais real de comprar imóvel, estabilidade, menor jornada de trabalho, e talvez principalmente, voltar a trabalhar com projetos de arquitetura, ao invés de engenharia de custos para obras industriais gigantescas, ou seja, qualidade de vida em geral.

Deixei o Rio às pressas, rumo a Pelotas, deixando pra trás amigos, antigo emprego, minhas roupas, carro, móveis, tudo, incluindo minha mulher que tem coisas a concluir por lá.

A situação era de desespero. Meu pai estava na UTI. Quando ele começou a melhorar, minha vó, com 89 anos e quase 11 meses, foi internada. Passei o primeiro mês dormindo entre hospital e na casa do pai. Não foi fácil fisica ou psicologicamente ter dois entes dos mais queridos por mim, distantes 15 metros de corredor, no mesmo hospital.

Meu pai se recuperou quase que totalmente, e deixou o hospital lá pelo dia 25 de setembro, hoje está em casa, completando tratamento, mas numa recuperação impressionante.
Minha querida vó, como já escrito em post anterior, morreu no dia 30 de setembro de 2009.

Minha assumção do cargo no TRT estava programada para dia 1º de outubro. Consegui adiar mais um dia, para poder acompanhar o velório dela. Então assumi no dia 2 de outubro de 2009.

E desde então estou morando com meu irmão que me acolheu de uma forma extremamente carinhosa, me dando toda a liberdade de fazer da casa dele, minha casa também, pelo menos por algum tempo.

Minha vida está de cabeça pra baixo, mas meu irmão, com a paciência e a sabedoria nas horas certas tem me ajudado muito a me manter focado e a não sucumbir à loucura, à ansiedade, à tristeza, (à cachaça) ou ao tédio que podem se tornar essas semanas iniciais de trabalho, sem estar com o meu espaço com o qual estava acostumado e confortável.

Felipe, obrigado pela força, pelo abrigo e pelas conversas. De coração. Mas ainda vais ter que me aturar mais uns dias.
Agora só falta ganharmos na mega-sena.

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